Etiqueta e a teoria do centésimo macaco

Posted on 29mar

O centésimo macaco é o nome dado a uma teoria recente que vem servindo de tema literário nos últimos vintes anos, e que nos faz refletir sobre nosso papel quando nos sentimos sozinhos em uma nova onda.

Assim como mitos gregos como “Cavalo de Tróia” não se sabe ao certo aonde começam os fatos reais e onde começam as metáforas, de qualquer forma, o importante é a reflexão que fazemos a respeito e que trazemos para nossa vida.

Uma vez em reunião com um alto executivo de uma conceituada agência de propaganda em São Paulo, quando eu falava de etiqueta ele me lançou uma pergunta: “O que devo fazer, pois sempre que me levando ao chegar uma mulher na sala todos olham com certa estranheza para mim, e fazem até piada. Entendo que isso é gentileza e assim fui educado pela minha mãe.”

 

 

Após essa pergunta, meus cursos se intensificaram e muitos alunos meus passaram a fazer a mesma pergunta. Pois após uma enxurrada de conhecimento sobre etiqueta, que traz sobre a luz do dia comportamentos diferenciados perante a sociedade, alguns sentiam que poderiam parecer “fora da caixa”.

Parece conversa de gente louca, pois a estranheza deveria ser ao contrário, quando não existe a gentileza e a educação. Mas estamos infelizmente vivendo em uma época onde parece que ERRADO é a pessoa que é gentil, que abre a porta para uma mulher passar ou que para em fila dupla. A pessoa no metrô sentada no lugar de um idoso não tem problema, ninguém fala nada e nem fazem piada.

De fato os valores estão trocados, ou talvez nem tenhamos mais valores…. E como recuperamos isso nessa altura do campeonato?

Foi quando em uma conversa com a minha terapeuta Dora M Bentes, ela falou da teoria do centésimo macaco, e isso me deu um clique.
Aqui apresento a teoria para vocês baseada na versão de Ken Keyes Jr e os convido para uma reflexão.

 

 

Ao longo da costa do Japão, na ilha de Kochima, os cientistas estudam colônias de macacos habitantes de ilhas isoladas, há mais de trinta anos. Para poder manter o registro dos macacos, eles colocavam batatas doces na praia, para que os animas as comessem, assim expunham-se e podiam ser observados com total visibilidade.

Um dia, uma macaca começou a lavar a sua batata no mar, antes de comê-la. Podemos imaginar que seu sabor tornava-se assim mais agradável, pois o tubérculo estava livre da areia e do cascalho e, talvez, ligeiramente temperado de sal.

A macaca mostrou aos outros macacos como fazer aquilo e aos poucos mais e mais macacos passaram a lavar as batatas em vez de comê-las com areia e tudo.

 

 

Foi então que aconteceu uma coisa surpreendente.

No outono de 1958 muitos macacos – não se sabe ao certo quantos – lavavam suas batatas-doces. Vamos supor que, um dia, ao nascer do sol, noventa e nove macacos da ilha de Kochima já tivessem aprendido a lavar as batatas-doces. Vamos continuar supondo que, ainda nessa manhã, um centésimo macaco tivesse feito uso dessa prática. Então aconteceu! Nessa tarde, quase todo o bando já lavava as batatas-doces antes de comer. O acréscimo de energia desse centésimo macaco rompeu, de alguma forma, uma barreira ideológica!

Foi quando os cientistas observaram uma coisa ainda mais surpreendente – o hábito de lavar as batatas-doces havia atravessado o mar. Bandos de macacos de outras ilhas, que não tinham contato com a ilha de Kochima, também começaram a lavar suas batatas-doces. Assim, quando um certo número crítico atinge a consciência, essa nova consciência pode ser comunicada de um para o outro, mesmo que as colônias de macacos das outras ilhas nunca tivessem tido contato direto com a primeira.

 

 

Ali estava uma validação para a teoria do campo morfogenético: era possível explicar dessa maneira o que acontecera. O “centésimo macaco”  foi o hipotético e anônimo macaco que virou o jogo para a cultura como um todo: aquele cuja mudança de comportamento assinalou ter sido alcançado o número crítico de macacos que modificaram sua conduta, e após o qual todos os animais de todas as ilhas passaram a lavar as suas batatas.

A Teoria do Centésimo Macaco significa que, quando só um número limitado de pessoas conhece um caminho novo, ele permanece como patrimônio da consciência dessas pessoas. Mas há um ponto em que, se mais uma pessoa se sintoniza com a nova percepção, o campo se alarga de modo que essa percepção é captada por quase todos.

 

 

Voltando para a Etiqueta, você pode ser o centésimo macaco! E eu aqui escrevendo esse artigo quero ser o centésimo macaco.

Mudar o seu comportamento é mais que mudar a si mesmo, é ser o exemplo da mudança que queremos no mundo.

E é assim que respondo para meus alunos que muitas vezes se sentem constrangidos ao comer de forma correta a mesa quando todos pegam errado nos talheres e falam com os mesmos nas mãos, ou quando os olhares se direcionam para o gentil homem que se levanta ao chegar uma mulher na sala.

Todos nós queremos essa mudança, talvez sejamos orgulhosos demais para admitir, ou queiramos mesmo ficar na nossa rebeldia para nos sentirmos jovens ou aceitos pelo grupo. Mas isso nada mais é do que resistência a um movimento que já se iniciou e que é inevitável.

 

 

Saber etiqueta não só permite que você se torne uma pessoa mais confiante, elegante e bem quista, como também ajuda a fazer o mundo melhor. 

Convido você para unir-se ao bando e ser o centésimo macaco nesse movimento! Sem medo, sem vergonha de ser você ainda melhor, e principalmente se desenvolvendo como pessoa e como profissional a cada dia.

É o nosso papel construir a consciência de um país e de um mundo onde estamos todos conectados em uma grande rede chamada sociedade, onde o que eu faço impacta diretamente no outro, e que ter atos e pensamentos éticos contribui para o dia de todos – até os que estão fisicamente em outras ilhas.

Qual a sua escolha?

Etiqueta é para todos.

 

Itens Relacionados

Imersão Campos de Jordão

RECEBER BEM & ETIQUETA À MESA

CHÁ DA TARDE INGLÊS



Back to Top